quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O QUE A HISTÓRIA JÁ ME PROPORCIONOU...

HISTÓRIA...


Quando escolhi ser PROFESSOR, encontrei resistência e desaprovação de amigos, colegas e até, em algumas ocasiões, de meus familiares... Me diziam que era uma profissão ingrata, sem perspectiva, etc... E mesmo ouvindo tudo isso e concordando algumas vezes, nunca desisti do sonho de ENSINAR...Sempre acreditei no poder transformador da EDUCAÇÃO, por isso, me sentia sempre motivado em preparar aulas, me especializar, estudar o tempo todo e até me isolar em alguns momentos, esquecendo família, amigos, namoradas...Esse é o preço que sabia que tinha que pagar para ser RECONHECIDO por meus pares, por meus alunos, pela sociedade...
A HISTÓRIA me deu oportunidades incríveis de crescimento profissional e perspectivas que nem imaginava em meus tempos de estudante...Pude trabalhar com formação de milhares de alunos do ensino Fundamental e Médio em escolas Estaduais e Colégios particulares... Pude trabalhar em curso de formação de professores de História na Universidade, pude publicar dois livros que mostram minhas ideias e percepções sobre o futuro do Ensino de História...pude ser reconhecido profissionalmente até na internet por causa das minhas atividades com sites, video-aulas no youtube, redes sociais, etc...pude até participar de programas de TV apresentando um pouco daquilo que estudei...E certeza pra mim...isso é apenas o COMEÇO...quero muito mais...Pergunto agora para àqueles que não acreditavam em meu potencial: AGORA ACREDITAM QUE É POSSÍVEL LUTAR E SER FELIZ SENDO PERSISTENTE EM NOSSOS SONHOS?

Um abraço a tod@s...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Divulgado o piso nacional dos professores - R$ 1.451,00 com 40 horas semanais...VERGONHA NACIONAL


Divulgado o piso nacional dos professores - R$ 1.451,00 com 40 HORAS semanais. 

VERGONHA!

Com essa mensagem, iniciamos uma discussão acalorada em redes sociais tentando identificar os responsáveis pela falácia da Educação Pública no Brasil e o descaso com os professores...Acompanhem!


Paulo Conceição O Brasil é o pais do futuro, rsrsrsrsrs e do jeito que vemos as coisas como estão indo... tá looonge de ser

Marcelo Antonio E lamentável que, em um país onde tudo e um absurdo e onde os impostos são tão abusivos, o salario seja uma vergonha dessas, ainda porque esses que vão receber são os responsáveis pela formação do futuro do país. Acorda Brasil, pra ser um país do futuro e preciso investir na educação.

Joziane Cordeiro É uma vergonha! Estudar a vida toda para ganhar 1.451,00, ninguém merece tanto descaso.


O mais triste é ver que vai ter Estado que vai levar mais de 3 anos pra aplicar essa lei, criarão liminares, e o diabo a quatro para não aplicar. E o absurdo maior nem é o fato de se estudar pra ganhar isso, o absurdo maior é que só AGORA e...


Felipe Yanez As eleições estão aí...até quando vamos continuar votando nos mesmos?

Manoel Sena Nos mesmos ou nos próximos, infelizmente, ninguém tá preocupado com a classe. Na hora de falar da educação, todos os males que há nela, a culpa é do professor. O mundo é destruído, a culpa é do professor. Enfim, o professor é o único profissional pelo qual todos os outros passam, no entanto, o menos valorizado, em termos de remuneração e em respeito também.

Fernando Alves Eleições não muda nada. Uma vez que, chegando ao poder qualquer partido vira "pelego." Outro pequeno detalhe é que não sabemos votar.

Arthur Léo Enquanto isso: nesta terça, Deputados votarão o décimo quarto e décimo quinto salários para a categoria...

Leandro Ribeiro da Silva Verdade, as eleições não mudam esse quadro, o PT governa a Bahia e como é a educação pública de lá? Falam que ele quis até que revogassem a lei e diminuíssem o piso. A verdade é que o sistema se mantém independente do candidato, nunca ficou tão evidente isso, não há mais esquerda ou direita, existem os que te ferram mais e os que te ferram menos, e mesmo isso ta acabando...

Vagner Damasceno professor e vergonhoso mas temos que transformar essa metodológia de ensino embora os alunos não tenham culpa sem contar o fato de união entre os professores,temos que ser mais unidos para reinvidicar os nossos direitos.


Fernando Alves Leandro, muito bem. Não tenho simpatia por partido político, mas fico observando a crítica que se faz ao PSDB, que considero justa, mas por quem devemos substituí-lo? Fiz um levantamento sobre os estados em que o PT governa e a educação está de igual a pior. gostaria de lembrá-los de uma frase do Lula. "Esperamos que em 2021 a educação do Nordeste esteja igual a de São Paulo em 2011."



É queridos, onde vamos parar com isso? Que absurdo... O nosso voto não tem preço, mas tem consequência e por mais que cada partido politico estão todos ficando com a mesma cara, temos que rever esse conceito, estudar durante anos, ter uma profissão digna, lembrando que um professor forma todos os profissionais independente da area e o que pedimos é apenas um salário digno, visto que as condições das escolas estudais, diga-se que é uma lastima, ser professor é uma honra, é vocação e como eu disse, a única coisa que queremos são condições dignas de trabalho, acho que ninguém aqui espera reconhecimento mas sim esperamos que esses senhores parlamentares revejam o que é prioridade, isso nos desanima profundamente, saber que estudamos para ter a mais nobre das profissões e não termos se quer um salário digno! Fica aqui meu pensamento sobre essa situação... Claro que jamais vou desistir do meu sonho, mas espero sim, um dia roer esse sistema de dentro para fora! Abraço a todos

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Livros do Prof. André Rodrigues disponíveis nas melhores livrarias do país






Na livraria Cultura, pelo link:

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/busca/busca.asp?palavra=Andr%C3%A9+Wagner+Rodrigues&tipo_pesq=&tipo_pesq_new_value=false&tkn=0


Na Livraria da Travessa, consulte:

http://www.travessa.com.br/HISTORIA_HISTORIOGRAFIA_E_ENSINO_DE_HISTORIA_EM_RELACAO_DIALOGICA_COM_A_TEORIA_DA_COMPLEXIDADE/artigo/98447009-3d38-4b8b-a6c0-19587f2a2876


Na livraria da editora Multifoco, acesse:

http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=&idProduto=653

HISTÓRIA EM PERSPECTIVA COM MAIS DE 32.000 VISUALIZAÇÕES EM UM ANO DE CRIAÇÃO



Os números são ótimos! Em apenas um ano de criação do site: www.historiaempercspectiva.com

Atingimos:

aproximadamente 30.000 visualizações;
106 seguidores;
mais de 170 postagens com conteúdos relacionados à História e Educação
mais de 50 comentários de visitantes apoiando a iniciativa e agradecendo pelo conteúdo disponibilizado...

Por tudo isso, estamos cada vez mais convictos da importância das mídias interativas na divulgação do conhecimento histórico. Muito obrigado pela confiança em nossas ideias e opiniões à cerca das constantes mudanças na Educação e no Ensino de História...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

DICAS PARA PROFESSORES DE HISTÓRIA QUE IRÃO PARTICIPAR DE BANCA DE SELEÇÃO


por André Wagner Rodrigues - coordenador do curso de História da UNIBAN/ANHANGUERA



Para participar de uma banca de seleção em Colégios particulares é importante se atentar para os seguintes critérios: 1. APRESENTAÇÃO (apresente-se brevemente e exponha um resumo da sua aula e o quê está propondo ensinar). 2. ORGANIZAÇÃO DA LOUSA (depois que se apresentou e expôs seu tema, peça licença para registrar em lousa alguns tópicos que irão ser abordados por você em aula...Não esqueça de escrever seu nome e a data no canto superior esquerdo da lousa...E não esqueça de registrar também o TEMA). 3. POSTURA, ENTONAÇÃO DA VOZ (É importante se preocupar com isso...deve expor seu conteúdo com clareza e com boa dicção...logicamente qualquer diretor ou coordenador de escola contratam professores que são bons expositores). 4. DOMÍNIO DE CONTEÚDO (Se prepare! Se informe...A banca pode ficar curiosa com alguma informação que você transmitiu durante a exposição e pode lhe perguntar...para responder com tranquilidade, deve se preocupar com as questões que poderão vir...) 5. AVALIAÇÃO (deve pensar para o final de sua exposição em como poderia avaliar seus alunos em sua aula.É importante você pensar qual é o mecanismo que irá utilizar para saber se seus alunos aprenderam ou não...Esqueça provas, resumos...Pense em exercícios que provoquem a imaginação, curiosidade e raciocínio crítico de seus alunos...) Boa sorte!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O passado recontado na internet - entrevista para a Revista Profissão mestre


Esse é mais um resultado positivo de minha insistência e vontade de transmitir para o maior número possível de pessoas aquilo que mais gosto de fazer...LECIONAR HISTÓRIA...


Por causa das minhas atividades na internet com o site www.historiaemperspectiva.com, além do canal de video aulas no youtube e a rede social para Historiadores comunidadehistorica.ning.com, a revista PROFISSÃO MESTRE, muito qualificada (dirigida à professores e pesquisadores) realizou uma entrevista comigo com o intuito de divulgar minhas atividades na internet. O resultado está aí, e isso me deixa muito feliz!

Questões para definir um tema para Projeto de pesquisa em História


por André Wagner Rodrigues - coordenador do curso de licenciatura em História da UNIBAN/ANHANGUERA

Quando pensamos em PESQUISA EM HISTÓRIA, logo acreditamos que não há mais possibilidade de criação ou estudo de um tema  que seja ORIGINAL. Parece que todos os temas já foram pesquisados incessantemente e não há mais a possibilidade de produzir algo novo... Entretanto nos esquecemos que o que importa, na verdade, é a maneira na qual interpretamos determinado assunto. Em qualquer pesquisa há uma relação intrínseca entre pesquisador (sujeito) e TEMA (objeto de estudo). Nessa relação é importante olharmos nosso tema de maneira ORIGINAL. Dessa forma, seremos originais e criaremos o novo...Importante ainda é pensar como chegar ao tema de estudo. Vão aí algumas dicas preciosas...

  1. O que eu pretendia (minhas expectativas) com o curso de História?
  2. E agora, com o curso já quase ao seu final, o que pretendo?
  3. Na área da História, sobre o que eu mais gosto de discutir e saber ao ponto de me especializar?
  4. Listar assuntos que nunca foram do meu interesse e justificar o porquê não me interesso sobre esses assuntos. (ver se meus argumentos têm lógica)
  5. Listar assuntos que do meu interesse e justificar o porquê interesso mais sobre esses assuntos. (ver se meus argumentos têm lógica)
  6. Qual dentre esse assuntos o tema que tenho maior interesse (e que realmente tem relevância para meus estudos e carreira profissional)


Responder essas questões (não responda oralmente, escreva) fazem com que você tenha que pensar e dissertar sobre suas opções. Lembre-se que para definir um tema para um projeto é preciso levar em consideração esses pontos:
 fatores internos:
-          gostar do tema
-          tempo para pesquisar (quanto tempo vou dedicar a pesquisa)
-          condições para pesquisar (ter livros disponíveis sobre o tema, bibliotecas, acervos)
fatores externos:
-          relevância do tema escolhido (é realmente importante)
-          tempo para concluir a pesquisa (só um ano)
-          material para consulta acessível (sua fonte)
   
A principal pergunta para definir o tema, depois que você já tem o assunto de sua preferência é:  O  QUE  DESTE  ASSUNTO ? ( a resposta é o seu tema)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O lugar das Ideias e da Cultura no pensamento de Edgar Morin

por André Wagner Rodrigues - coordenador do curso de História da UNIBAN/ANHANGUERA


Em várias obras, Morin apresenta sua visão de ser humano, conforme já mostrado no Capítulo II. Ele propõe enriquecer essa visão, pensando como o ser humano interage/relaciona-se com as ideias e com a cultura/sociedade do seu tempo e como, a partir desta relação, produz/reproduz seu cabedal cultural do qual fazem parte seus conhecimentos. Morin afirma que o Homo Sapiens-demens é formado 100% biologicamente e 100% culturalmente. Segundo ele, “[...] um indivíduo alimenta-se de memória biológica e de memória cultural” (MORIN, 2008, p. 21). Há uma interação recursiva, dialógica e hologramática na relação indivíduo-sociedade-cultura[1]. Diz ainda que “[...] não podemos esquecer as interações entre indivíduos, eles próprios portadores/transmissores de cultura, que regeneram a sociedade, a qual regenera a cultura” (Idem, p. 19). Morin compara a cultura a um grande Computador constituído por vários terminais individuais, que são os espíritos, cérebros dos indivíduos que compõem a cultura do seu tempo.
Isso nos levaria a pensar que estamos fadados a aceitar, acomodar e obedecer aos determinismos impostos por essa grande máquina cultural? Até que ponto?
Antes de tentar responder, é importante explicar como Morin entende esse “determinismo cultural”. Há, segundo ele, um determinismo evidente na gênese do conhecimento e em outros aspectos culturais dos seres humanos que é denominado de imprinting cultural[2], a marca matricial e incontornável da cultura no ser humano desde o seu nascimento. O imprinting “[...] nos impõe o que se precisa conhecer, como se deve conhecer, o que não se pode conhecer. Comanda, proíbe, traça os rumos, estabelece os limites [...]” (Idem, p. 28) Notamos o imprinting também na formulação de Teorias científicas, filosóficas; em concepções políticas, paradigmáticas, axiológicas; em postulados e axiomas, na disseminação dos pré-conceitos, racismos, etc. Os espíritos humanos se envolvem e são envolvidos, influenciam e são influenciados e, de maneira complexa, são produtores/geradores e reprodutores de cultura e também do imprinting.
Isso quer dizer que a cultura e o imprinting cultural são forças formadoras e determinantes? Não há possibilidade de não se adequar a elas?
Reportando-se à comparação da cultura com um grande computador e à afirmação de que cada indivíduo é um terminal “comandado” pelo computador maior, Morin ressalva: “Mesmo quando é comandado e controlado pelos diversos programas dos quais falamos, o indivíduo dispõe sempre de seu terminal pessoal” (Idem p. 23). Ou seja, sendo o ser humano uma parte da cultura que o formou, pode romper com os determinismos impostos. Há sempre espaços de autonomia, mesmo nos determinismos culturais: “há multiplicação das brechas e rupturas no interior das determinações culturais, possibilidade de ligar a reflexão com o confronto, possibilidade de expressão de uma idéia, mesmo desviante” (Idem, p. 23). Isso pode ser observado historicamente nos exemplos de indivíduos que romperam com a cultura do seu tempo: Sócrates, Galileu, Rousseau, Marx, Newton, Einstein, Picasso, Heisenberg, etc. Todos esses, foram “desviantes” de suas condicionantes socioculturais e históricas. Nas palavras de Morin, os espíritos desviantes são aqueles que “contra o Tabu e a Censura [...] fingiram concordar com aquilo em que não acreditavam para salvar aquilo em que acreditavam” (Idem, p. 37).  Eles podem ser entendidos como sujeitos que “não obedeceram ao determinismo cultural, mas surgiram nas brechas abertas, ou que abriram no determinismo” (Idem, p. 63).
Para romper com os determinismos, por exemplo, no caso do conhecimento, e estabelecer um tipo de conhecimento que seja autocrítico, criterioso e contextualizado, isto é, aberto em relação às “amarras” do imprintig, Morin sugere que as pessoas sejam capazes de ter um ponto de vista que seja auto-trans-meta sociológico. Somente com esse olhar podemos situar o conhecimento:
1)     [...] histórica, sociológica, cultural e epistemologicamente; 2) reconhecer os seus princípios e critérios de verdade e de erro; 3) enfrentar a complexidade de sua problemática em vez de escamoteá-la na concepção inepta de um determinismo trivial, imposto por uma sociedade trivial a um conhecimento trivial. (MORIN, 2008, p. 116).
               
Um conhecimento que se quer autônomo e emancipado, pronto para romper com as normalizações e imposições culturais, deve apresentar-se de maneira complexa, isto é, deve ser auto (autônomo e aberto à crítica), trans (que ultrapassa os limites teóricos e metodológicos e o rigor científico, que possa estabelecer um diálogo com outros saberes – união do pensamento científico com o humanístico) e também metassociológico (que possa ser contextualizado social e culturalmente).
As ideias, linguagens, produtos culturais, teorias, paradigmas, ideologias, etc., ou simplesmente “as coisas do espírito”, segundo Morin, possuem vida própria. Elas funcionam numa dinâmica própria de vida/morte, origem/degradação/degeneração/regeneração. Elas podem ser determinantes nas sociedades em relação à vida das pessoas. Mas, as pessoas precisam poder desafiá-las e contrariá-las. Este é o caminho da autonomia, sempre relativa.
            As “coisas do espírito”, para Morin, são como o conjunto de tradições, mitos, ritos, religiões e religiosidades, ideologias, etc., que também podemos chamar de construções intelectuais dos indivíduos e das sociedades. “As ideias são dotadas de vida própria porque dispõem, como os vírus, em um meio (cultural/cerebral) favorável, da capacidade de autonutrição e de auto-reprodução” (MORIN, 2008, p. 136). As ideias transcendem os indivíduos, pois permanecem, são reforçadas e reproduzidas culturalmente e socialmente ganhando uma espécie de vida própria que de certa forma, como diz Morin, possuem os indivíduos. E também influenciam e até são determinantes no direcionamento das sociedades. Um exemplo retirado do passado histórico pode ilustrar isso. Os historiadores helenistas, por muito tempo se perguntam sobre a verdade em torno da Guerra de Tróia. E se estudarmos as fontes de que dispomos para recuperar esse passado (por volta de 1400 a.C), nos remetemos às obras Ilíada e Odisséia de Homero, que foram publicadas quase mil anos depois (por volta de 540 a.C). Estas, transmitidas por bardos e aedos profissionais e cantadas por várias gerações nutriram muito da cultura grega. Hoje sabemos que os estudos arqueológicos comprovaram a existência de Tróia e vários tesouros e resquícios desse passado foram encontrados (o famoso “tesouro” do Rei troiano Príamo e também do rei de Micenas Agamenôn pelo arqueólogo alemão Heinrich Schliemann no século XIX da nossa era)[3]. As obras Ilíada e Odisséia e a vida em torno do imaginário dos bardos gregos que narraram essa história puderam ser comprovadas. Vários livros, filmes, poesias, contos, teses, etc., foram produzidos sobre o evento (Guerra de Tróia) e nutrem, de certa forma, nossas ideias sobre a cultura grega antiga, mantendo-a presente e viva em nosso imaginário.
          Vê-se nesse exemplo como o desenvolvimento de ideias, ou da inteligentsia humana – como Morin emprega esse termo – é alimentador e reforçador da noosfera – a dimensão das coisas do espírito. Pois, “Os seres de espírito multiplicam-se [...] via discursos, educação, doutrinação, palavra, escrita, imagem. O poder duplicador/multiplicador da imprensa, do filme, da televisão, aumentou e continua a aumentar o potencial reprodutor dos seres do espírito [...] (Idem, p. 154). As ideias, na visão de Morin, são portadoras de vida própria[4].
            Há ainda todo o peso da Linguagem. “[...] a linguagem humana exprime, constata, transmite, argumenta, dissimula, proclama, prescreve [...] Consubstancial à organização de toda a sociedade, participa necessariamente da constituição e da vida na noosfera” (MORIN, 2008, p. 197). É a partir da Linguagem que estabelecemos os nossos vínculos com a cultura de nosso tempo. A linguagem, na concepção de Morin deve ser pensada em seu sentido hologramático, pois sendo parte integrante da cultura que a forma, deve ser concebida ao mesmo tempo como autônoma e dependente. Para ele: “A linguagem depende das interações entre indivíduos, os quais dependem dela para emergir enquanto espíritos [...]” (Ibidem, p. 199).
          Ora, idéias, linguagem, valores e outras “coisas do espírito” são veiculadas por diversos meios e influenciam a vida das pessoas e os rumos das sociedades. Nos nossos dias, os meios de comunicação de massa emprestam a essas “coisas do espírito” uma agilidade, presença e força muito maiores. E isso traz os resultados apontados nos itens anteriores com todas as influências, também apontadas, no processo educativo em geral, no processo educativo escolar e, para o nosso foco de estudos, no processo de ensino da História.


[1] Morin, em vários momentos expõe a relação complexa entre indivíduo, sociedade e cultura. Segundo o autor: “A relação entre os espíritos individuais e a cultura não é indistinta, mas, sim, hologramática e recursiva. Hologramática: a cultura está nos espíritos individuais, que estão na cultura. Recursiva: assim como os seres vivos tiram sua possibilidade de vida do seu ecossistema, o qual só existe a partir de inter-retroações entre esses seres vivos, os indivíduos só podem formar e desenvolver o seu conhecimento no seio de uma cultura, a qual só ganha vida a partir das inter-retroações cognitivas entre os indivíduos: as interações cognitivas dos indivíduos regeneram a cultura que as regenera” (Ver em Morin, 2008, p. 24)
[2] O termo imprinting foi empregado por Konrad Lorentz para explicar a marca incontornável imposta pelas primeiras experiências do jovem animal, como o passarinho que, ao sair do ovo, segue como se fosse sua mãe, o primeiro ser vivo ao seu alcance. Ora, há um imprinting cultural que marca os humanos, desde o nascimento, com o selo da cultura, primeiro familiar e depois escolar, prosseguindo na universidade ou na profissão. (Ver em Morin, 2008, p. 29)
[3] Ver estudos de Pierre Vidal-Naquet no livro: “O mundo de Homero”. Cia das Letras, 2005.
[4] “Vivemos, vale lembrar, em um universo de signos, símbolos, mensagens, figurações, imagens, idéias, que nos designam coisas, situações, fenômenos, problemas, mas que, por isso mesmo, são os mediadores necessários nas relações dos homens entre si, com a sociedade, com o mundo. Nesse sentido, a noosfera está presente em toda a visão, concepção, transação entre cada sujeito com o mundo exterior, com os outros sujeitos humanos e, enfim, consigo mesmo “(MORIN, 2008, p. 140)

A mídia e sua relação com a má formação intelectual

por André Wagner Rodrigues - coordenador do curso de História da UNIBAN/ANHANGUERA



A expressão "meio de comunicação" refere-se ao instrumento ou à forma de conteúdo utilizados para a realização do processo comunicacional. Entende-se por meios de comunicação de massa, o conjunto de meios de comunicação, destinados ao grande público: o cinema, o rádio, a televisão, o vídeo, a imprensa escrita como os jornais, revistas e outros e, a partir da década de 1990, com destaque a internet.
            Esses meios resultaram da necessidade de comunicação rápida com um grande número de pessoas que pertencem a todas as classes sociais e têm diferente formação cultural. Sua origem remonta à Revolução Industrial no século XVIII, mas sua consolidação se dá em meados do século XIX, quando a ascensão da burguesia torna mais complexa a vida urbana. Aparece, então, nesse processo, o surgimento de grupos de especialistas com interesses particulares, e que, de certa maneira, impõem padrões e homogeneízam o gosto por meio da difusão de seus produtos. Eles têm a intenção de converter em entretenimento guerras, genocídios, greves, cerimônias religiosas, catástrofes naturais e das cidades, obras de arte, obras de pensamento, etc. Há um “perigo” devido ao fato de que os meios de comunicação de massa pertencem a grupos muito fechados, que detêm o monopólio de sua exploração e, com isso, adquirem o poder de manipular a opinião pública nos assuntos de seu interesse no campo da comunicação, da política e outros. (ARANHA, 1997, p. 41).
            Esse “perigo” ganhou proporções gigantescas na formação dos Estados Totalitários (por exemplo os nazi-fascistas), onde pequenos grupos partidários se transformaram em “salvação possível” da segurança dos valores burgueses, após as incertezas sociais e políticas de um mundo recém saído da Primeira Grande Guerra, em 1918, e da derrocada da economia mundial após o crash da bolsa de valores de Nova York em 1929. Chauí (2006) apresenta análises sobre a propaganda hitlerista, principalmente sobre seus efeitos na grande massa:
[...] conferências de intelectuais nazistas, discursos de Hitler, transmissão de paradas militares, juvenis, infantis, femininas, entrevistas com militares do partido nazista, transmissão de notícias diretamente das frentes de guerra, concertos e óperas de compositores alemães autênticos foram empregados para convencer a sociedade alemã da grandeza, da justeza e do poderio do Terceiro Reich. (CHAUÍ, 2006, p. 44).

Nesse contexto, a propaganda se tornou a arma de divulgação das insatisfações e anseios de grupos específicos, que conseguiram “democraticamente” se tornar os representantes das vontades populares (em maior escala na Alemanha, Itália e Espanha), provocando a disseminação, por exemplo, de idéias de extermínio de uma raça e da conquista de territórios considerados “atrasados” e “inferiores”, o que resultou em novos conflitos e em uma Guerra ainda mais violenta posteriormente.
Segundo Chauí (2006, p. 37) a palavra propaganda, significa:
[...] multiplicar uma espécie por meio da reprodução, espalhar-se por um território, aumentar numericamente por contágio, irradiar-se, difundir-se e, por extensão, divulgar. A propaganda é uma difusão e uma divulgação de idéias, opiniões, valores, informações para o maior número de pessoas no mais amplo território possível.

Quando a propaganda se alia ao comércio, fenômeno característico da sociedade pós-industrial na fase neoliberal, ela ganha um outro sentido:
[...] se apropria de atitudes, opiniões e posições críticas ou radicais existentes na sociedade, esvazia e banaliza seu conteúdo social ou político e as investe em um produto, transformando-as em moda consumível e passageira. Feminismo, guerrilha revolucionária, movimentos culturais de periferia, liberação sexual, direitos humanos etc., arrancados do contexto que lhes dá sentido, são transformados em imagens que vendem produtos. (CHAUÍ, 2006, p. 40).

Os meios de comunicação de massa são um produto dos avanços tecnológicos e são apropriados pela “Indústria Cultural” e por isso, estão intimamente voltados aos interesses particulares de grupos minoritários que tendem a transformar seus valores e ideais em senso comum, logicamente em torno da garantia do poder político e do lucro obtido com a disseminação de suas vontades específicas.
 Indústria cultural (em alemão: KulturIndustrie) é um termo cunhado pelos filósofos e sociólogos alemães Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973), membros da Escola de Frankfurt. O termo aparece no capítulo Kulturindustrie - Aufklärung als Massenbetrug na obra Dialektik der Aufklärung (em português: Dialética do Esclarecimento), de 1947.
  Neste capítulo os autores analisam a produção e a função da cultura no capitalismo. Os autores criaram o conceito de Indústria Cultural para definir a conversão da cultura em mercadoria. O conceito não se refere aos veículos (televisão, jornais, rádio...), mas ao uso dessas tecnologias por parte da classe dominante, para disseminação de suas idéias conformistas e controle da população. A produção cultural e intelectual passa a ser guiada pela possibilidade de consumo mercadológico com a mais abrangente face capitalista.
A expressão “Indústria cultural” representa as bases do Totalitarismo Moderno, ao promover a alienação do homem, entendida como um processo pelo qual o indivíduo é levado a não meditar sobre si mesmo e sobre a totalidade do meio social circundante, transformando-se com isso em mero joguete e, afinal, em simples produto alimentador do sistema que o envolve (COELHO, 1980, p. 28).
Essa comunicação de massa nos impõe um padrão de vida e felicidade a ser alcançado, com objetivos e ideais muitas vezes impossíveis para todos, mas diante da televisão, por exemplo, isso se torna possível. Assim, os indivíduos abdicam de sua liberdade em troca do que vêem, ouvem, sentem através dos meios de comunicação e deixam-se ser controlados. Os principais responsáveis por esse estado de coisas são as classes sócio-econômicas dominantes e os governos que as servem, que utilizam esses meios de comunicação de modo a exercer seu controle sobre a sociedade.
No caso do Estado, a sutileza consiste em aumentar propositadamente a obscuridade do discurso para que o cidadão se sinta tanto mais informado quanto menos puder raciocinar convencido de que as decisões políticas estão com especialistas – críveis e confiáveis – que lidam com problemas incompreensíveis para os leigos. (CHAUÍ, 2006, p. 9).

A intenção ideológica por trás da inculcação desses valores impostos é uma possível e preocupante visão de mundo estruturada em uma mesma matriz de pensamento, um mesmo comportamento, hábitos e costumes semelhantes que tendem a ser difundidos, particularmente pela TV. Há uma produção teórica interessada e conveniente, totalmente manipulada, que visa fazer as pessoas pensarem de tal modo, julgando que pensam ou teorizam por conta própria. Nessa relação entre Indústria Cultural e meios de comunicação de massa percebe-se a anulação dos valores individuais, na medida em que não há reação efetiva do receptor, este passa a contentar-se com “dados” que saem do nada e levam a parte alguma, e acomodar-se a esse universo vazio de significação em que se transformam suas vidas. O indivíduo, portanto, deixa de existir, especialmente o indivíduo pensante, e é substituído por esse “indivíduo de estatística”, por esse indivíduo que é a massa. A informação veiculada pelos meios de comunicação de massa segue apenas um sentido, da fonte para o receptor, sem retorno: com isso, não há informação, mas conformação. A velocidade que acompanha a dinâmica das informações transmitidas indica que tais meios:
São feitos de modo que sua apreensão adequada exige rapidez de percepção, capacidade de observação e competência específica, porém impedem, efetivamente, a atividade mental do espectador, se ele não quiser perder os fatos que se desenrolam rapidamente a sua frente (CHAUÍ, 2006, p. 30).
A ação dos meios de comunicação em relação à Cultura é um dos fenômenos mais característico do séc. XXI, na medida em que transforma a arte da criação em uma marca ou uma imagem voltada para o consumo. Abordando esse aspecto, Chauí (2006) atribui à mídia os seguintes possíveis riscos:
1) de expressivas, tornarem-se reprodutivas e repetitivas; 2) de trabalho da criação, tornarem-se eventos para consumo; 3) de experimentação do novo, tornarem-se consagração do consagrado pela moda e consumo; 4) de duradouras, tornarem-se parte do mercado da moda, passageiro, efêmero, sem passado e sem futuro; 5) de formas de conhecimento que desvendam a realidade e instituem relações com o verdadeiro, tornarem-se dissimulação, ilusão falsificadora, publicidade e propaganda. (CHAUÍ, 2006, p. 21)

A reprodução cultural em série de obras de arte, livros de filosofia, manuais de astronomia e física quântica, músicas clássicas, etc., apresenta à grande massa a sensação de uma “democratização” do acesso aos bens culturais, mas, no entanto, há uma divisão social bastante nítida na aquisição desses bens e uma separação muito clara entre “elite culta” (que participa do circuito de informações “caras” e “raras”) e “massa que tem acesso restrito à cultura” (que acessa, na verdade, informações “baratas” e “comuns”). Essa divisão se torna clara:
(...) no caso dos jornais e revistas, por exemplo; a qualidade do papel, a qualidade gráfica de letras e imagens, o tipo de manchete e a matéria publicada definem o consumidor e determinam o conteúdo daquilo a que terá acesso e o tipo de informação que irá receber (idem, p. 29).

Esses meios de comunicação propõem, através da teoria que veiculam, que o que vale é o circunstancial, o efêmero, o passageiro. Buscam levar as pessoas a terem como idéias verdadeiras aquilo que nada permanece na memória: da moda ao comprometimento político, tudo passa e tende a perder-se. Nada deve permanecer como era: tudo deve continuamente fluir, estar em movimento, pois só o triunfo universal do ritmo de produção mecânica garante que nada mude, que nada surja que não possa ser enquadrado (ADORNO e HORKHEIMER, 2007, p. 27). Tomamos como exemplo particular na História do Brasil recente a estatística do jornal Folha de São Paulo[1] que revela o incrível número de 82% dos brasileiros acima de dezesseis anos que não têm conhecimento do que representou o Ato Institucional n˚ 5[2] para a História do Brasil. Como Imaginar que no período de apenas 40 anos, grande parcela da população brasileira tenha esquecido, ou desconheça, sua própria história?
E isso já acontece também com as gerações de jovens europeus, que já não sabem quem foram Franco ou Mussolini! A abundância de informações sobre o presente não lhes permite refletir sobre o passado (ECO, 2008)[3]. É lastimável para historiadores e professores de História que a sociedade brasileira não dê importância ao conhecimento do passado. E é em torno dessa triste realidade, de uma “alienação coletiva”, que o que se produz como conhecimento, para se tornar conhecido ou valorizado, deva tornar-se espetáculo, algo a ser entendido e esquecido continuamente, inclusive a relação do homem com sua História.


[1] Matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo intitulada: “Oito em cada dez brasileiros nunca ouviram falar do AI-5” de 13/12/2008. (Ver em anexo 1 o conteúdo da notícia na íntegra)
[2] Editado em 13 de dezembro de 1968 pelo então presidente, o general Costa e Silva, o AI-5 autorizava o Executivo a fechar o Congresso, cassar mandatos, demitir e aposentar funcionários de todos os poderes. O governo podia legislar sobre tudo, e suas decisões não podiam ser contestadas judicialmente.
[3] Umberto Eco em entrevista publicada no jornal espanhol "El Pais" e reproduzida pelo caderno Mais! da Folha de São Paulo, de 12 de maio de 2008. (Ver em anexo 2 um resumo desta entrevista)